quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CRESTOMATIA POÉTICA ERUDITA: "Trova do vento que passa", de Manuel Alegre (1936-), poeta português


ANALECTO DO INTELECTO: Carlo Rovelli (1956-), físico italiano


MÚSICAS RECOMENDADAS: "Um réquiem alemão sobre palavras da Santa Escritura" (Op. 45), de Johannes Brahms (1833-1897)

O compositor alemão Johannes Brahms por volta dos 30 anos,
idade em que começou a escrever o seu réquiem, inspirado pela morte da mãe.

Neste feriado do Dia de Finados, estou a ouvir a obra "Ein deutsches Requiem, nach Worten der heiligen Schrift" (ou simplesmente "Ein deutsches Requiem”, Op. 45), do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897).  

Trata-se de um réquiem – a forma musical da missa fúnebre. Inspirado pela morte de sua mãe, Brahms, tomado de assalto pelo espírito lutuoso, compôs os sete movimentos dessa partitura no período que vai de 1865 a 1868. Protestante, fê-lo a musicar excertos da tradução da Bíblia feita por Martinho Lutero, razão pela qual seu réquiem é cantado em alemão, e não em latim - como sói acontecer na tradução erudita católica. A sublimar ainda mais a grandeza da sua obra, além do coro sinfônico, Brahms incluiu um solo de soprano e outro de barítono.

A lobreguidão magnânima desse réquiem posiciona-o qual uma das composições mais relevantes de todo o Romantismo na história universal da música. Sobretudo pela maneira imponente com que o compositor tudesco emprega o canto coral na composição longa, aprecio muitíssimo essa obra. Indiscutivelmente, a lugubridade da sua melodia está a falar diretamente ao coração.

No registro abaixo, temos a interpretação de "Um Réquiem Alemão" de Brahms pela Filarmônica de Berlim, sob a regência do maestro italiano Claudio Abbado. Gravada em 1997 na Musikverein - a mais famosa sala de concerto de toda a Europa e "lar" da Filarmônica de  Viena, a apresentação esteve a homenagear o centenário do passamento de Johannes Brahms, que morreu em 1897 na capital austríaca.

domingo, 29 de outubro de 2017

Viver com arte


Abro o jornal digital e deparo com uma reportagem que me chama a atenção: “Cantar trabalha a respiração e promove equilíbrio emocional”. Sua leitura conduziu-me de imediato a várias recordações da minha educação artística. Notadamente, estou a referir-me ao modo pelo qual o canto erudito passou a fazer parte da minha rotina.     

Comecei a cantar por força da minha educação formal na música erudita: no conservatório, aprendi que, para ser um músico afinado, era importantíssimo dominar a técnica do solfejo.

Depois, adentrei as aulas de canto propriamente ditas. Sem embargo de não me considerar cantor, fi-lo desejoso de aprofundar o meu conhecimento musical. Com o tempo, aquela decisão se revelaria acertada. O timbre de voz grave fez-me ser escalado para cantar no naipe dos barítonos do coral jovem do conservatório. À época, eu tinha 17 anos.

Atualmente, posto que se tenha passado mais de um decênio desde o início dos meus estudos de canto, continuo a praticá-lo com certa regularidade, já que estou a cantar em coral. Nem poderia ser diferente. Tivesse de viver mergulhado na atmosfera intumescente da burocracia estatal sem o refrigério da arte e eu mui provavelmente explodiria. Dia a dia, a sucumbir, a despenhar aos poucos.   

Nesse sentido, sinto-me autorizado a testemunhar que os benefícios do canto, apontados pela reportagem (relaxamento e equilíbrio emocional, respiração, concentração etc.), são todos verdadeiros. Com efeito, cantar trouxe muitas coisas boas para minha vida. Não apenas como artista - eu passei a tocar melhor meu instrumento depois que aprendi a cantar, já que minha percepção musical agudizou-se -, mas também como pessoa - minha saúde mental melhorou deveras.

São esses os motivos que me levam a recomendar a arte – nomeadamente o canto - como terapia para suportarmos as vicissitudes da vida. Sobretudo num tempo em que o discurso do ódio está tristemente a experimentar uma escalada extraordinária em todo o mundo, mais do que nunca, as pessoas estão a necessitar de arte em suas vidas.

Quem vive com arte, vive melhor. 

CRESTOMATIA POÉTICA ERUDITA: "O Sentimento dum Ocidental (Parte I. Ave Maria)", de Cesário Verde (1855-1886), poeta português