domingo, 27 de abril de 2014

OS GILBERTOS DA MPB: a bossa nova de João Gilberto ganha homenagem primorosa em "Gilbertos Samba" (2014) de Gilberto Gil


O cantor e compositor Gilberto Gil acaba de lançar um disco de bossa-nova excelente. Com o título de Gilbertos Samba (2014), o álbum homenageia um dos mais importantes nomes da música popular brasileira: João Gilberto.

Nas doze faixas que compõem o disco, destaca-se a capacidade de Gil em rearranjar composições que se tornaram famosas na voz de João Gilberto e seu inconfundível violão. Não é fácil para um artista regravar alguém. É preciso criar identidade musical na releitura. Caso contrário, vira álbum de “cover”.

Definitivamente esse não é o caso de Gilbertos Samba. O álbum tem o mérito de prestar uma homenagem sem ser repetitivo, como provam faixas como “Aos Pés da Santa Cruz”, “Doralice” e "Desafinado". A regravação de “Você e eu”, composição de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, grande sucesso de 1961 na voz de João Gilberto, é de boníssimo gosto. Inteligentemente o setuagenário Gil, cuja potência vocal começa a claudicar, utilizar de maneira muito elegante o vibrato sem se arriscar em notas muito altas (as quais, possivelmente, não consegue mais alcançar). Esse mesmo controle vocal se vai observar na interpretação de "O Pato" - uma das composições mais bonitas e criativas de todo o cancioneiro nacional.

          Mas o que mais me agradou nesse álbum, levando-me a recomendá-lo fortemente ao leitor, foi a direção musical. Com efeito, a decisão do músico de gravá-lo quase que completamente no sistema "voz e violão" permite ao ouvinte apreciar o quão competente é Gilberto Gil como instrumentista - faceta da sua carreira nem sempre enaltecida pela crítica musical. Pois é nesse sentido que a faixa "Um abraço no João", uma das inéditas do disco do lado de "Gilbertos", deve ser compreendida. Trata-se de um trabalho primoroso, a revelar em plenitude um (desconhecido para muitos) Gilberto Gil violonista, arranjador, dono de talento suficiente para compor harmonizações instrumentais musicalmente muito ricas. Sem dúvida, apesar de curta, os acordes de "Um abraço no João" representam um momento particularmente brilhante num disco que, tantas são as suas qualidades sonoras, que fica difícil destacar apenas uma faixa.

Gilbertos Samba prova que Gilberto Gil se sai bem melhor como artista que como marqueteiro ou crítico musical. No primeiro caso, seu esforço descomunal em promover a carreira da filha Preta – uma subcelebridade do pior quilate, pessoa desprovida do mínimo talento artístico – é patético. No segundo, em entrevistas recentes, ele apontou Anitta (a funkeira famosa pelo hit “Show das poderosas”, uma das coisas mais insuportáveis já compostas na face da Terra) e Márcio Victor, líder da banda Psirico (do humilhante “Lepo, Lepo”), como talentos promissores da nova geração de artistas brasileiros. Seria estágio duma senilidade incipiente ou apenas o bom-humor solidário de um artista com 50 anos de sucesso, que decidiu fazer caridade com colegas de profissão?    

Seja qual for a resposta, o fato é que Gilberto Gil é um cantor e compositor indiscutivelmente talentoso. Contanto que ele não decida levar a sério sua visão estética da música pop e decida gravar aberrações como Anitta e Psirico, os ouvintes da MPB hão de perdoá-lo todas as vezes em que ele empunhar seu violão - instrumento que ele toca tão bem, com tanta competência em suas harmonizações de acordes. Com muito mais razão assim em sua maravilhosa homenagem ao grande João Gilberto - um dos artistas mais importantes da história do Brasil.    

          Por esse motivo, Gilbertos samba, para quem gosta de bossa nova, é um disco imperdível!

 
 

sábado, 19 de abril de 2014

COLUNA OBSERVATÓRIO DE METAMORFOSES COTIDIANAS: A Maionese do Diabo


Já não é de hoje que alguns pastores evangélicos são motivo de piada no Brasil. Tamanho é o descaramento com que vendem uma suposta “doutrina da fé cristã” que fica difícil acreditar no que dizem. Interpretando os versículos bíblicos com a mesma diligência hermenêutica de um analfabeto que tenta ler javanês em braile, tais “líderes neopentecostais”, donos de uma formação intelectual rasa, tornam-se autênticos “mercadores da fé”. No fundo, são animadores de auditório carismáticos, a pastorear um rebanho sem escrúpulos, num oportunista "talk show do templo", cujo fim indisfarçável é arrecadar o vil metal – o santo dízimo "em nome de Jesus".   

Mas sejamos justos: o fim é declarado. Não há quem vá a uma pregação dessas e não ouça o pastor enfatizar a necessidade de “doar seu patrimônio a Deus”. Os que pregam a teologia da prosperidade são, assim, os que mais anseiam tornar-se prósperos à custa do suor alheio. E haja saquinho passando, haja dinheiro depositado na sacolhinha. Quem não paga é pecador e receberá aquela pena a que estão todos condenados de antemão: o inferno. Digo condenados de antemão porque são tantas igrejas, tanta variedade de doutrinas neopentecostais, tantos os pastores que alardeiam exegeses bíblicas diferentes, muitas das quais a atingir conclusões colidentes entre si, que, se fôssemos apurar a lista dos pecados capitais de cada qual no mundo, é provável que não restasse ninguém apto a ir para o "Reino dos Céus”. Na babel da hermenêutica bíblica, o inferno está mais lotado de ímpios que ônibus no horário do rush na Central do Brasil.    
 
Obviamente, todo esse ardor na exegese da Bíblia tem uma justificativa mundana. Os mercadores da fé prestam um serviço que, no Brasil, é altamente rentável. Protegidos pela imunidade tributária que a Constituição assegura aos templos de qualquer culto, as entidades religiosas não pagam nenhum tipo de imposto que venha a tributar seu patrimônio, sua renda e os serviços relacionados com suas finalidades essenciais. E o Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do País, responsável por dar a palavra final na interpretação do texto constitucional, tem sido generoso na sua jurisprudência. Por mais de uma vez, já decidiu que nem mesmo os cemitérios, lotes vagos e prédios comerciais pertencentes a entidades religiosas podem ser tributados pelo Fisco. A consequência disso é fácil perceber: em se tratando de entidade religiosa, a renda bruta que se aufere é quase sempre líquida. Haverá cobrança de taxas e outros tributos, mas impostos, como o de renda, têm sua exigência proibida. Por isso que no Brasil a profissão de “mercador da fé” é tão rentável - o que entusiasma os picaretas de plantão.    
Maionese Hellmann's: o molho demoníaco com o qual Satanás
pretende possuir a alma dos hot dogs do mundo inteiro.

Ciente desse contexto, o leitor não deveria se deixar surpreender com casos bizarros como o do pastor Valdemiro Santiago. Noticiam os jornais que o “apóstolo”, um dos mais ricos mercadores da fé no País, causou polêmica após proibir a compra e consumição de uma das mais tradicionais marcas de maionese vendidas no Brasil. Segundo argumentou durante o culto, o nome Hellmann’s, quando traduzido do inglês, significa “homem do inferno”, a revelar as intenções satânicas do produto. "Precisamos estar atentos, a tentação está em todo lugar, até na prateleira do supermercado, e cada vez que você ouve esse nome a sua alma está sendo condenada, e como o próprio nome da maionese diz, se você levar um vidro desse pra sua casa, você é mais um homem no inferno", declarou ele. Não satisfeito com a admoestação, o pastor ainda arrematou com esta pérola (sic): “Você passaria o satanás no seu pão? Colocaria ele na sua salsicha ou comeria ele na sua salada com a sua família?”.

Realmente, o pastor Valdemiro é merecedor do Nobel de Química por esta descoberta. Como nunca ninguém se apercebeu de que Richard Hellmann, o fundador da conhecida marca de maioneses, era a reencarnação do anticristo? Quem diria! Nem Hitler nem as profecias de Nostradamus! O “filho do demônio” era um alemão maldito, que veio a este mundo com um plano megalomaníaco de possuir a alma das pessoas pela boca, a valer-se de uma receita de maionese demoníaca. Que plano perfeito! Colocar satanás num sanduíche com a salsicha e o pão! E vejam que afronta do belzebu: a maionese é passada no pão – o mesmo pão que Jesus um dia repartiu entre os seus discípulos na Santa Ceia.

Talvez a interpretação do pastor Valdomiro, escorada num trabalho de tradução primoroso, a demonstrar um conhecimento profundo da língua inglesa, explique o porquê de o sabor da maionese Hellmann's ser tão irresistível. Só pode ser coisa do demo um molho tão saboroso, que, com seu elevadíssimo teor calórico, prenhe de gorduras, tantas dietas já vitimou. A gula, como toda a gente o sabe, é pecado mortal.

Mas uma pergunta não quer calar: e o ketchup? É do diabo ou é de Deus? Pode ou não pode passar no pão, pastor?

Eis aí, caro leitor, um novíssimo “mistério da fé”.     

Da cura da AIDS ao Camaro vermelho

 
Ainda falando em pastores e seus feitos notáveis, ainda esta semana causou estardalhaço nas redes sociais a veiculação do trecho de um programa evangélico no qual a legenda na tela anunciava: “Curado de tuberculose, tumor no cérebro e AIDS, Luís tinha apenas uma célula no corpo”.

Quando vi a imagem, de soslaio, compartilhada por alguém na minha timeline do Facebook, confesso que pensei ter lido “...Luís tinha apenas uma cédula no bolso”. Será que tive uma visão? Se assim for, a concretizar-se a cura de tantos males humanos (o câncer, a tuberculose, até a AIDS!) em troca duma mísera cédula, creio que os planos de saúde correm o risco de falir. No entanto, o mais provável é que essa seja apenas mais uma das intermináveis histórias miraculosas que há de se incorporar ao já conhecido anedotário dos mercadores da fé.

Contudo, devo dizer que, nesse baú involuntário da comédia stand up brasileira, praticada frequentemente em templos, ora transformados em palcos dos "shows da fé", a minha anedota favorita continua sendo a do pastor que exibe um Camaro vermelho como prova das maravilhas que o Senhor pode fazer na vida de alguém. Depois que assisti a esse vídeo, juro que orei várias vezes. Instigado pelo pastor, orei e pedi que o tempo de Jeová Jiré, o ano de Elizeu, o ano da porção dobrada, viesse para minha vida. Infelizmente até hoje continuo sem o meu “muscle car” vermelho e seu impressionante motor V8 com mais de 400 cavalos de potência. Afinal Jesus não pode dirigir qualquer carro. Filho de Deus que é filho de Deus é playboy e roda num legítimo esportivo.  
 

Gabriel García Márquez (1927-2014)

 
Esta coluna corre o risco de se tornar obituário. Só neste ano, já escrevi aqui sobre as mortes de duas personalidades relevantes no campo das artes: o violonista espanhol Paco de Lucia e o ator brasileiro José Wilker. E, por mais que eu queira evitar o ramerrão mórbido, há mortes, tão relevante é a personalidade do falecido, que não podem simplesmente passar em branco.

É assim que gosto de pensar sobre a notícia do falecimento de Gabriel García Márquez. O escritor colombiano faleceu na última quinta-feira, 17 de abril de 2014, aos 87 anos. Já era seguramente um dos mais importantes nomes da Literatura mundial em todo o século XX. Obras do quilate de “Cem Anos de Solidão”, “O Amor nos Tempos de Cólera”, “O Outono do Patriarca” e “Crônica de uma Morte Anunciada” são demasiado representativas do talento do grande autor da escola latino-americana do “realismo mágico”.  

Neste momento, em que se perpetuam justíssimas homenagens ao imaginativo criador de Macondo, este colunista decidiu lisonjear a memória do grande literato não com uma passagem de um de seus livros, como sói acontecer, mas sim com um trecho, que acho lindo, do discurso que Gabo proferiu quando da cerimônia de entrega do prêmio Nobel de Literatura em 1982. Na oportunidade, o escritor declarou: 

“Em cada linha que escrevo trato sempre, com maior ou menor fortuna, de invocar os espíritos esquivos da poesia, e trato de deixar em cada palavra o testemunho de minha devoção pelas suas virtudes de adivinhação e pela sua permanente vitória contra os surdos poderes da morte. Entendo que o prêmio que acabo de receber, com toda humildade, é a consoladora revelação de que meu intento não foi em vão. É por isso que convido todos a brindar por aquilo que um grande poeta das nossas Américas, Luis Cardoza y Aragón, definiu como a única prova concreta da existência do homem: a poesia.”

Tal qual Márquez, acredito que é precisamente essa ligação do homem com a poesia (num sentido lato, com a arte e com a cultura em geral) que nos permite vencer os “surdos poderes da morte”. E Gabo, com sua obra, é um seguramente um desses inesquecíveis vencedores.     

O corpo perfeito na visão de homens e mulheres

Lendo uma importante revista dos Estados Unidos, uma reportagem me chama a atenção: “How Men And Women Differ When Drawing Up The ‘Perfect Body’”.

Segundo informa a jornalista Laura Stampler, uma loja de lingerie promoveu uma curiosa pesquisa. Pediu a 500 homens e 500 mulheres que criassem, a partir de uma mistura de imagens, aquilo que consideravam o “corpo perfeito”. Partes dos corpos de celebridades, famosas por sua beleza, foram utilizadas na montagem. O resultado o leitor pode conferir nas imagens abaixo:

 
 
Como se percebe, há diferenças claras no modo com que homens e mulheres enxergam a beleza do sexo oposto. A mais visível delas é de proporção. Enquanto as mulheres optam por um ideal de beleza feminina mais delgado, no melhor estilo top model de passarela, os homens preferem mulheres, digamos assim, mais carnudas (a diferença no tamanho dos seios e dos quadris é gritante!). Para a maioria dos homens da pesquisa, portanto, o estilo "panicat anabolizada", as populares “gostosonas”, despontam na preferência.

A atriz inglesa Michelle Keegan: tipo físico que se aproxima do "corpo perfeito" na visão masculina.
Este colunista também vota nela!
 
Quando se trata de beleza masculina, a situação permanece a mesma. Mulheres preferem homens sarados, porém esguios. Já os homens identificam o corpo perfeito masculino com proporções mais avantajadas, próximas aos “marombeiros de academia”.     

O fisiculturista estadunidense Ronnie Coleman: ele não é o favorito das mulheres.
 
Ao contrário do que se possa pensar, a pesquisa é bastante útil. Ela nos mostra como a noção do “corpo perfeito” (que logicamente está a nos remeter à percepção da própria beleza humana) varia conforme o sexo da pessoa. Nesse quesito, homens e mulheres têm visões bastante distintas. Seria a comprovação do ditado popular de que “a beleza está nos olhos de quem vê?”

Pode até ser que sim, mas pelo menos uma certeza essa pesquisa levanta: independentemente do sexo, o corpo perfeito é sempre o de alguém sarado, malhado, quase um atleta olímpico.

          Então recomendo ao leitor cuidado com o excesso de chocolate nesta Páscoa, para depois não se arrepender. Pois, como dizem por aí, a Páscoa passa; mas o chocolate (em forma de gordura) fica.

Analfabetismo na Globo: a gente se vê por aqui!

A Rede Globo continua a surpreender seu público. Negativamente, é claro. Já não bastasse a grade da emissora vivenciar um marasmo total, a amargar o insucesso de sua telenovela “Em Família”, agora tomaram a decisão de aproveitar parte do elenco de atores para cuidar das redes sociais da emissora. Duvidam? Então vejam a seguinte imagem divulgada no Facebook:
 

Pois bem, agora que o leitor já tomou ciência do grosseiro erro de português (“perturbe” virou “pertube”), dize com sinceridade: foi ou não foi o Caio Castro?

Roberto Justus dança o “Lepo, Lepo”

 
No seu reality show “O Aprendiz”, o apresentador Roberto Justus adora cultivar a fama de durão. Segue o arquétipo do chefe grisalho e arrogante, que não hesita em gritar com seus empregados-aprendizes, colocando-os no degrau mais baixo da cadeia alimentar.

Mas essa é uma imagem oposta a que vemos no seu talk show na Record. Esforçando-se numa missão impossível para ele (ser autêntico e carismático), Justus encarna um “vovô sacana" da pior espécie – daqueles dos quais a gente só ri por pena e por "vergonha alheia". Apesar de se vestir como um executivo de empresa, ele age de forma tão patética quanto sua ex-mulher, a apresentadora Ticiane Pinheiro, que, ao dançar o “quadradinho de oito” no palco do seu programa, já provou estar disposta a tudo por fama e dinheiro (inclusive se casar com Roberto Justus).

          Por isso não surpreende a notícia de que Justus, no afã de conquistar audiência junto a um público que não consegue digerir a sua falta de carisma, tenha formado um trio com Geisy Arruda e Geraldo Luís (quem?) para dançar algo tão grotesco quanto a coreografia do “Lepo, Lepo”. Decadência total.

Entretanto, antes que o leitor atire a primeira pedra, este colunista informa que dá o maior apoio à carreira de Roberto Justus como dançarino de axé. Afinal, é preferível vê-lo dançar a cantar. Pelo menos assim ele não tortura os nossos ouvidos.      
 
 
Malcolm Young está fora do AC/DC
 
 
Uma notícia abalou o mundo da música esta semana. Malcolm Young está oficialmente fora do AC/DC.

Há semanas circulavam boatos de que Malcolm estaria doente. Após muita especulação, Ross Young, filho do guitarrista, veio a público e confirmou que seu pai está com uma doença degenerativa. Segundo informaram os jornais, o músico reuniu-se com a banda para ensaiar, mas percebeu que havia esquecido como se tocava. Assim precisou afastar-se para cuidar da saúde, o que provavelmente significa que nunca mais veremos Malcolm em cima dum palco com sua guitarra.   

           A notícia caiu como um balde de água fria nas expectativas de fãs do mundo inteiro que ansiavam pela turnê, anunciada meses antes pelo vocalista Brian Johnson, em comemoração aos 40 anos de atividade roqueira do AC/DC. Para piorar, cresceram os rumores de aposentadoria dos australianos, um fantasma que só foi afastado esta semana com a divulgação de uma nota, no sítio oficial da banda, a dar conta de que, apesar do afastamento de Malcolm, o AC/DC continuará a fazer música.

Os irmãos Angus e Malcolm afinam suas guitarras nos idos de 1970.
Nas décadas seguintes, após fundarem o AC/DC,
a família Young viria a se tornar uma das mais importantes da história do rock. 

          Para quem não sabe, Malcolm Young é, juntamente com seu irmão Angus, guitarrista e membro fundador do AC/DC - um dos mais importantes grupos de rock de todos os tempos. Ajudou a escrever seu nome na história do rock mundial com álbuns como Highway to Hell e Back in Black - ainda hoje discos referenciais para qualquer um que pretenda entender o significado de termos como hard rock e heavy metal.  

          Particularmente, a notícia sobre o afastamento de Malcolm Young e a virtual aposentadoria do AC/DC deixou este colunista muito triste. Como grande admirador do som da banda, que o ajudou a entender seu próprio lugar no mundo quando, ainda criança, ouviu o riff das guitarras dos irmãos Young e então passou a cantar "I'm on the highway to hell", foi inevitável pensar no pior: um mundo no qual não haja mais shows do AC/DC. Felizmente, os rumores de aposentadoria foram afastados, mas a saída de Malcolm é preocupante, pois ele sempre foi o principal compositor da banda - não obstante o irmão Angus, talvez o guitarrista mais performático da história do rock, seja a figura imediatamente associada à imagem do grupo com a sua conhecida roupa de colegial.

          É triste admitirmos, mas as lendas do Rock N' Roll, que ainda transitam entre nós, estão a envelhecer. Com isso, o fim, que é inevitável, parece cada vez mais próximo para músicos na faixa dos sessenta anos de idade, tal qual sucede em relação aos australianos do AC/DC (o Iron Maiden, Rush e Scorpions não vão durar muito em cima dos palcos também). De qualquer modo, pelo menos por enquanto, é melhor não pensar no pior e deixar o tempo correr. Porque a vida num mundo em que os irmãos Malcolm e Angus Young não toquem mais suas guitarras certamente será uma vida menos feliz.